Por Uromed | 10/03/26
Urologia na Gravidez: Desafios, Sintomas e Tratamentos Seguros
A gestação é um período de intensas mudanças no corpo da mulher. Essas transformações, que ocorrem para favorecer o desenvolvimento do bebê, também impactam diversos sistemas do organismo materno — entre eles, o trato urinário. Por isso, pacientes grávidas representam um grande desafio para os urologistas.
Durante a gravidez, o sistema urinário passa por alterações anatômicas e fisiológicas que podem desencadear, agravar ou complicar condições urológicas pré-existentes. Além disso, o diagnóstico e o tratamento dessas doenças durante a gestação exigem cuidados especiais, pois há limitações importantes no uso de exames de imagem e medicamentos.
Por exemplo, exames como a tomografia computadorizada, frequentemente usados na investigação de cálculos renais ou infecções complexas, devem ser evitados devido à exposição à radiação, que pode trazer riscos ao feto. Outro desafio é que muitos dos medicamentos urológicos habituais são contraindicados durante a gravidez, o que reduz as opções terapêuticas e pode dificultar o alívio dos sintomas ou o controle da infecção.
Como resultado, o manejo urológico na gestante tende a ser mais complexo, e o desconforto ou sofrimento pode ser mais intenso do que em pacientes não grávidas. Por isso, é essencial que a gestante com queixas urinárias seja acompanhada de perto por um urologista capacitado, que compreenda as particularidades desse momento.
Os sintomas do trato urinário inferior são bastante comuns durante a gestação e, na maioria das vezes, decorrem das alterações fisiológicas próprias do período. Entre os mais frequentes, destacam-se:
Outro sintoma frequente entre as gestantes é a incontinência urinária, que acomete de 22% a 80% das mulheres grávidas. Esse quadro pode se apresentar de duas formas principais:
Fatores como idade materna mais avançada, obesidade, número de gestações anteriores (multiparidade) e trabalhos de parto prolongados anteriores aumentam o risco de incontinência urinária.
O tratamento depende do tipo e da intensidade dos sintomas, mas em todos os casos é importante orientar a paciente quanto à adoção de hábitos saudáveis e à realização de exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico, como os exercícios de Kegel. Esses cuidados têm um efeito preventivo e terapêutico importante. Por isso, toda gestante que apresenta perda urinária involuntária deve procurar avaliação com um urologista.
As infecções urinárias são mais comuns na gravidez e sempre devem ser tratadas, mesmo quando assintomáticas (como na bacteriúria assintomática). Isso porque a gestante tem maior risco de desenvolver complicações graves, como:
É fundamental realizar urocultura de rotina durante o pré-natal e tratar toda infecção diagnosticada com antibióticos seguros para o feto. Após o primeiro episódio, a gestante deve ser monitorada com exames regulares até o final da gestação, já que a chance de recorrência é significativa.
A urolitíase (cálculos urinários) é a principal causa não-obstétrica de internação hospitalar durante a gestação. Cerca de 80% a 90% dos casos ocorrem no segundo e terceiro trimestres, período em que as alterações hormonais e anatômicas tornam o sistema urinário mais propenso à formação de pedras.
As gestantes apresentam uma série de alterações que favorecem a urolitíase, como:
Os sintomas incluem dor lombar intensa, hematúria (sangue na urina), náuseas, vômitos e sintomas urinários irritativos. Se não tratada, a urolitíase pode levar a complicações como obstrução urinária, infecções secundárias, parto prematuro, ruptura prematura de membranas e até pré-eclâmpsia.
Felizmente, com os avanços da endourologia e das técnicas minimamente invasivas, já é possível tratar muitos casos de cálculos urinários durante a gravidez de forma segura, com baixo risco para a mãe e o bebê. Procedimentos como ureteroscopia com laser podem ser realizados com anestesia adequada, sem a necessidade de cortes ou exposição à radiação.
A atuação do urologista durante a gravidez é essencial para garantir a saúde urinária da gestante e o bem-estar do bebê. Embora existam limitações no diagnóstico e no tratamento, o avanço das tecnologias médicas tem permitido abordagens cada vez mais seguras e eficazes.
A gestante com queixas urinárias não deve adiar a procura por atendimento especializado. Com avaliação adequada, acompanhamento próximo e individualização do tratamento, é possível garantir uma gestação mais tranquila, segura e com menor risco de complicações urológicas.
Urologia, Andrologia e Cirurgia Robótica
Dr. Dimas Melão | Dra. Bárbara Melão | Uromed – Urologia, Andrologia e Cirurgia Robótica em Manaus – AM © Todos os Direitos Reservados.
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