Por Uromed | 10/03/26
O hipogonadismo masculino é uma síndrome clínica causada pela deficiência da testosterona, o hormônio sexual masculino. Esse hormônio é fundamental no desenvolvimento das características sexuais secundárias na puberdade, manutenção da fertilidade, função sexual, formação de massa muscular, regulação da composição corporal, saúde óssea e até aspectos cognitivos e emocionais.
A partir dos 40 anos, os níveis de testosterona tendem a diminuir gradualmente, o que pode levar ao aparecimento de sintomas relacionados ao hipogonadismo em alguns homens. Esse quadro é conhecido como Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) e pode impactar negativamente a qualidade de vida. Por isso, é fundamental uma avaliação médica criteriosa para definir a conduta terapêutica mais adequada em cada caso.
Apesar da importância da testosterona para a saúde masculina, a sua reposição só deve ser feita quando houver comprovação laboratorial de níveis reduzidos E a presença de sintomas compatíveis com a deficiência hormonal. Infelizmente, nos últimos anos, a crescente popularização da reposição hormonal — impulsionada por campanhas de marketing e promessas de “rejuvenescimento” — tem levado muitos homens a buscar esse tratamento sem necessidade real ou indicação médica adequada, o que pode trazer riscos sérios à saúde.
Estudos demonstram que o número de prescrições de testosterona aumentou significativamente em todo o mundo, muitas vezes de forma injustificada. O uso indiscriminado da testosterona como um “elixir contra o cansaço, desânimo ou queda da libido” é um erro perigoso. Quando usada sem indicação adequada, a testosterona pode provocar efeitos adversos como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), infertilidade e supressão da produção natural do hormônio, que em alguns casos pode ser irreversível.
Quando indicada de forma precisa, a reposição de testosterona pode trazer benefícios importantes para homens com hipogonadismo. Entre os efeitos positivos mais observados estão:
No entanto, todos esses benefícios só são esperados em pacientes com diagnóstico comprovado de hipogonadismo e, mesmo assim, a reposição deve ser feita com cautela, sob supervisão de um profissional qualificado, respeitando protocolos clínicos e realizando acompanhamento periódico com exames laboratoriais e físicos.
Definitivamente, não. A “reposição hormonal” em indivíduos com níveis normais de testosterona é contraindicada pelas principais sociedades médicas do mundo, incluindo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e a Associação Europeia de Urologia (EAU).
A utilização de testosterona sem deficiência hormonal comprovada pode causar:
Portanto, a reposição só deve ser realizada após avaliação médica detalhada, com exames laboratoriais (como testosterona total, livre e hormônio luteinizante – LH) e análise clínica criteriosa.
Embora a reposição hormonal possa ajudar significativamente no tratamento dos sintomas do hipogonadismo, ela não é a única abordagem necessária — e, em muitos casos, não é a mais importante.
Segundo o consenso da Sociedade Europeia de Urologia, o tratamento do hipogonadismo deve ser multidisciplinar. Além da reposição, é essencial que o paciente:
Muitas vezes, a simples mudança de hábitos já é suficiente para restaurar a produção natural de testosterona e aliviar os sintomas relacionados à sua deficiência.
Sim, e este é um ponto crucial. A testosterona exógena (usada em terapias de reposição) interfere diretamente no eixo hormonal hipotálamo-hipófise-gonadal, reduzindo a produção de hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Isso leva à diminuição ou até paralisação da produção de espermatozoides, condição conhecida como azoospermia.
Em alguns casos, essa infertilidade pode ser reversível após a suspensão do tratamento, mas em outros, os danos podem ser permanentes. Por isso, homens que desejam preservar a fertilidade não devem iniciar reposição de testosterona sem discutir alternativas com um urologista / andrologista especializado em saúde reprodutiva masculina.
A testosterona é um hormônio vital para a saúde masculina, mas seu uso indiscriminado pode causar mais prejuízos do que benefícios. A reposição hormonal, quando bem indicada, pode melhorar muito a qualidade de vida do homem, mas deve ser usada com responsabilidade, critério e acompanhamento pelo urologista. Diagnóstico correto, avaliação completa do paciente e abordagem personalizada são fundamentais para garantir segurança e eficácia no tratamento do hipogonadismo.
Urologia, Andrologia e Cirurgia Robótica
Dr. Dimas Melão | Dra. Bárbara Melão | Uromed – Urologia, Andrologia e Cirurgia Robótica em Manaus – AM © Todos os Direitos Reservados.
Criado por Método 3a Médico Agência de Marketing Digital para Médicos .